Herança do silêncio
O vento corta o campo, indiferente,
E o céu, tão vasto, ignora minha sina.
Tua voz se perdeu na névoa fina
Que cobre o mundo em sombra persistente.
Caminho só. O tempo é penitente,
E a dor, semente amarga que germina.
O sol se apaga, a terra se declina,
E o céu me pesa, lúgubre e silente.
Por que tombaste, pai, tão cedo, à vida?
O justo cai, mas morte é comedida
A quem não tem sequer a mão divina.
Mas se do pó renasce a flor ferida,
Então em mim tua alma se ilumina,
Fazendo da saudade uma colina.
De seu filho, Alexandre Toledo.
Márcio Alexandre Toledo de Avelar
24/09/1981 - 29/09/2025
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