Morto-vivo

Peço-te, não me deixes tão fundo,
três palmos bastam para o meu repouso.
Não quero, no meu leito eterno e imundo,
com larvas dividir o mesmo lar penoso.

Pois, mesmo na morte, quero sentir
o calor do sol, o orvalho da manhã,
ainda que a chuva me faça surgir
despido, cadavérico, podre como maçã.

Estarei eu contente jazendo
no mundo dos que são vivos.
Não sofreria eu, assim sendo.

Então, deixe-me no altivo!
Não quero fim tão horrendo,
serei, ao menos, um morto-vivo.

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