Água que secou

Aquela água que um dia foi nascente,
em meio ao infeliz calor, secou;
junto de minha vida descontente,
de alguém que quis amar e nunca amou.

Agora, o coração, antes fervente,
no peito desolado, se calou;
e a paixão do passado tão ardente,
como o poço, em tristeza se acabou.

Resta-me apenas minha decadência,
vagando sobre a vastidão do nada,
perdido entre o silêncio e a demência.

Minh'alma, desde sempre aprisionada,
só teve incômodo de uma existência
que agora jaz tão só, despedaçada.

Comentários

Postagens mais visitadas