Penitência

Como a luz que aparece e logo apaga,
tem-se a vida abolida em espiral;
onde a tristeza, flâmula imortal,
espalha-se, insolente, como praga!

E o pranto testemunha o fel da chaga,
das almas em tortura colossal;
ébrias do tédio atroz, néctar do qual
bebem, este licor que as embriaga.

Mas junto à escória surge fria a Morte 
(a ceifeira das almas sem um norte),
Onde a vida há de, enfim, se acabar.

Dirá a ti: “Valeu de que o lamento,
se o verme a roerá em passo lento,
e o corpo, feito pó, vai se findar?”

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